Como sempre, você já deve estar descartando essa hipótese, afinal, como poderia a vida ser originada por algo não-vivo? Realmente, quem pensa assim está com a razão, no entanto, não com toda a razão. Eis que a abiogênese se ramifica para várias outras ideias e hipóteses, as quais umas serão refutadas como mostrarei adiante, e outras permanecerão com grandes expectativas.
Já sabendo o conceito geral de abiogênese, podemos então nos aprofundar ao que se conhece por Geração Espontânea. A geração espontânea era a teoria de que vários seres vivos, alguns até mesmo complexos, como camundongos, gansos e carneiros, poderiam se originar espontaneamente de um elemento não-vivo ou inanimado (como uma árvore, um pedaço de carne em putrefação ou uma pedra, por exemplo). Embora pareça loucura (e realmente é), a geração espontânea era amplamente aceita no século I a.C. Devemos considerar também que, apesar de exisitirem grandes pensadores na época, como Aristóteles, eles eram limitados a fazerem suas pesquisas a base de observações que, sem tecnologia adequada, davam abertura para uma grande margem de erro.
Muitos séculos se passaram e a geração espontânea ainda era uma forte hipótese para a origem de certas criaturas. Imagine um pedaço de carne abandonado em lugar inadequado: após algum tempo surgirão moscas em volta da carne putrefata. O grande desafio dos pesquisadores e estudiosos eram então provar que essas moscas não surgiam da carne, mas que sim, surgiam de um outro ser da mesma espécie. Analogamente, era mostrar que toda e qualquer vida era proveniente da biogênese.
Havia um fator no entanto que entrava em confronto com as pesquisas e experimentos: um fator chamado de "princípio ativo". O princípio ativo era nada mais nada menos que algum elemento fundamental presente na matéria inanimada que permitisse a origem da vida: logo, se esse princípio fosse retirado, a vida não poderia ser gerada pela matéria não-viva. Esse princípio ativo poderia ser o ar, algum componente químico ou até mesmo um odor. A grande dificuldade para os cientistas eram provar que a geração espontânea era errônea, mas para isso, sem acabar com os possíveis "princípios ativos" em suas experiências, que era o que ocorria.
No entanto, o grande passo para a desaprovação da geração espontânea ocorreria com os experimentos do francês Louis Pasteur, que ferveu um líquido em frascos que possibilitavam a entrada do ar (ou seja, do principio ativo), e não permitiam a entrada de microorganismos por via aérea. Dessa forma, a única vida que poderia surgir nos frascos teria se originado espontaneamente, no entanto, nenhum microorganismo foi detectado. Um século antes, o italiano Francesco Redi já havia dado passos importantes para a refutação da origem espontânea, com experimentos que permitiam a entrada do princípio ativo e a barragem de qualquer tipo de microorganismo, obtendo assim, os mesmos resultados que Pasteur obteria futuramente.
Então, assim sendo descartada a origem espontânea, encerramos concluindo que a abiogênese também não é válida, certo? Não, pois como eu disse, a abiogênese possui seu lado descartado e seu lado válido. Já vimos o descarte, agora vamos para o que interessa.
A grande área da abiogênese onde se é dedicado a maioria das pesquisas provém da origem química da vida. Sim, a abiogênese no seu sentido mais aceito se refere como a vida tendo sua origem através de reações químicas de gradual grau de complexidade. Como eu prometi não me aprofundar em fórmulas químicas, farei um apanhado do assunto.
Primeiramente, vem a difícil tarefa de como definir a vida, ou então, a partir de que momento podemos diferenciar uma espécie viva (por mais rudimentar que seja) de uma matéria não-viva, uma vez que todos os componentes que compõem um ser vivo são basicamente os mesmos que compõem qualquer outro objeto inanimado. Então como diferenciar a vida?
Segundo a Teoria de Oparin, a vida teria se originado na água, onde durante um longo processo, os oceanos constituíram características adequadas para a origem de compostos orgânicos, graças a exposição solar e aos raios ultra-violetas. Esses compostos orgânicos no entanto foram se agregando, em escala cada vez maior, e se alimentando de outros compostos orgânicos, até virarem um verdadeiro metabolismo capaz de se duplicar, e assim, dar origem a outro "ser", os quais se acreditam ser as primeiras formas de vida, por mais rudimentar possível, do planeta.
Essa seria a origem da vida por processos químicos, e por abiogênese, uma vez que teriam se formado a partir de compostos inanimados que foram se aglomerando no oceano.
Ainda assim, falta definir algo vivo de algo não-vivo. Pela origem química, um ser vivo seria aquele estruturado, que possui uma forma organizada de seus componentes, possibilitando assim a síntese de elementos químicos e até mesmo a capacidade de se aglomerar a proteínas, que se sabe ser essenciais para a manutenção da vida.
É amigos, complicado não é? Realmente, pois é difícil imaginar como todas essas etapas se desencadearam, durante milhões de anos, para originar o primeiro ser vivo. Para finalizar, pesquisas consideradas recentes (datam de cerca de 50 anos) comprovaram grande parte das ideias de Oparin, autor da Teoria citada acima, o que a faz uma forte hipótese no mundo científico.
Assim que puder, me aprofundarei no assunto e trarei assuntos relacionados, para melhor compreendermos todas as especulações dessa que é a pergunta mais desafiadora da humanidade, e de todo o Universo também.

Desenho representando o experimento de Redi. Em frascos foram colocados alimentos em estado de putrefação, e no final, os frascos destampados tinham atraído moscas e larvas para seu interior enquanto os tampados por gases (permitindo a entrada do ar, que seria o princípio ativo), apenas tinham atraído moscas para sua boca, permanecendo seu interior inalterado. Dessa forma Redi deu o primeiro passo para a refutação da origem espontânea.
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